Índice de Massa Corporal (IMC): fórmula, classificação e limites
O que é o IMC
O Índice de Massa Corporal (IMC) — em inglês BMI, Body Mass Index — é uma medida simples que relaciona o peso e a altura de um indivíduo para estimar se está dentro de uma faixa de peso saudável. Foi proposto pelo matemático belga Adolphe Quetelet no século XIX e adoptado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como ferramenta de rastreio populacional a partir da década de 1980.
O IMC é útil porque é rápido, barato e reprodutível — basta uma balança e um estadiómetro. Serve como triagem inicial em consultas médicas e estudos epidemiológicos. Não substitui, contudo, avaliações mais completas (massa gorda, perímetros, composição corporal) que são necessárias para conclusões individuais rigorosas. Em Portugal, é usado no âmbito do Plano Nacional de Saúde e nos rastreios da DGS (Direcção-Geral da Saúde).
Fórmula
A fórmula é:
IMC = peso (kg) / altura² (m²)
Onde a altura entra em metros (não em centímetros) e é elevada ao quadrado. O resultado é um número expresso em kg/m².
Classificação OMS (adultos):
| IMC | Classificação |
|---|---|
| < 18,5 | Baixo peso |
| 18,5 – 24,9 | Peso saudável |
| 25,0 – 29,9 | Excesso de peso |
| 30,0 – 34,9 | Obesidade grau I |
| 35,0 – 39,9 | Obesidade grau II |
| ≥ 40,0 | Obesidade grau III (mórbida) |
Crianças e adolescentes usam percentis em vez de valores absolutos, comparando com curvas de crescimento por idade e sexo (CDC/OMS).
Exemplo prático em Portugal
Uma trabalhadora de 32 anos com 68 kg e 1,68 m:
IMC = 68 / (1,68 × 1,68) = 68 / 2,8224 = 24,1 kg/m²
Classificação: peso saudável (limite superior). Um aumento de 3 kg colocaria-a em zona de excesso de peso.
Se um homem tiver 90 kg e 1,78 m:
IMC = 90 / (1,78 × 1,78) = 90 / 3,1684 = 28,4 kg/m²
Classificação: excesso de peso — sinal para reavaliar hábitos alimentares e actividade física.
Quando usar
O IMC é útil como medida populacional e como triagem inicial individual:
- Rastreios de saúde escolar e ocupacional.
- Avaliação em cuidados primários (consultas de família).
- Estudos epidemiológicos comparativos (Portugal tem hoje ≈ 60% da população adulta acima de 25 kg/m² segundo INSA).
Para avaliação individual mais rigorosa, complementa com:
- Perímetro da cintura — risco cardio-metabólico depende mais da gordura abdominal que do peso total.
- Percentagem de massa gorda — distingue entre kg de músculo e kg de gordura.
- Ritmo cardíaco de repouso e avaliação funcional.
Consultas de nutrição em Portugal (SNS ou Ordem dos Nutricionistas) usam frequentemente o IMC + perímetro da cintura como avaliação inicial rápida.
Erros comuns
O primeiro erro é aplicar o IMC a atletas de alto rendimento. Um jogador de râguebi com 25% de músculo pode ter IMC de 30 e ser classificado como obeso — mas na realidade tem baixa gordura corporal. A bioimpedância ou avaliação por dobras cutâneas dão diagnóstico mais fiel.
O segundo erro é usar em idosos frágeis. Acima dos 70 anos, o IMC “óptimo” desloca-se para cima (23-28 kg/m²) — perder peso involuntariamente após os 65 anos correlaciona-se com maior mortalidade, mesmo dentro da zona “saudável” pela tabela padrão.
O terceiro erro é medir mal a altura. Um erro de 2 cm num adulto de 1,70 m altera o IMC em 0,5 kg/m² — pode fazer alguém saltar de classificação. Usa estadiómetro, sem sapatos, com cabeça em plano de Frankfurt.
O quarto erro é confundir IMC com saúde geral. Alguém com IMC 22 pode ter alto risco cardiovascular por dieta pobre, sedentarismo ou tabagismo. O IMC é um número entre muitos — não a “verdade final”.
O quinto erro é aplicar a crianças e adolescentes com a tabela adulta. Nesta população, usa-se percentis por idade e sexo; um IMC de 22 pode ser adequado para uma jovem de 18 anos e obesidade grau I aos 10 anos.