ZN/pt
ZN.pt · Índice Cintura-Anca (WHR) · zn.pt/cintura-anca

Índice Cintura-Anca (WHR)

O Índice Cintura-Anca (WHR) divide o perímetro da cintura pelo perímetro da anca. É um preditor de risco cardiovascular melhor do que o IMC porque avalia a distribuição de gordura abdominal. OMS: homens saudáveis ≤ 0,90; mulheres saudáveis ≤ 0,80.

Rácio cintura/anca (WHR)
0,82
Classificação WHRRisco baixo
Risco por perímetro abdominalBaixo

Distribuição de gordura saudável — risco cardiovascular baixo.

Comparar

Rácio cintura-anca: medição, valores OMS e risco cardiovascular

O que é o rácio cintura-anca

O rácio cintura-anca (RCA) — em inglês waist-hip ratio, WHR — é a razão entre o perímetro da cintura e o perímetro das ancas, medida em centímetros. É um indicador de distribuição de gordura corporal, distinguindo a distribuição androide (gordura acumulada na região abdominal, “forma de maçã”) da ginóide (gordura acumulada nas ancas e coxas, “forma de pêra”). A distribuição androide está fortemente associada a doença cardiovascular, diabetes tipo 2, dislipidemia e síndrome metabólica — a gordura visceral abdominal produz mais citocinas inflamatórias do que a gordura subcutânea das ancas.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) e a International Diabetes Federation (IDF) recomendam o RCA como complemento ao IMC na avaliação de risco metabólico. Um jogador de râguebi de 100 kg com IMC de 30 pode ter RCA de 0,85 (baixo risco); um administrativo sedentário de 78 kg com IMC de 25 pode ter RCA de 0,98 (alto risco). O IMC vê o peso; o RCA vê onde o peso está distribuído.

Como se calcula

Fórmula directa:

RCA = perímetro da cintura (cm) / perímetro das ancas (cm)

Método de medição correcta:

  • Cintura: sem roupa, em pé, no fim de uma expiração normal. Ponto médio entre a última costela e a crista ilíaca — habitualmente ao nível do umbigo.
  • Ancas: no ponto de maior perímetro sobre os grandes trocânteres do fémur (parte mais larga das ancas).
  • Fita métrica flexível, horizontal, ajustada mas sem comprimir a pele.

Valores de referência OMS:

Sexo Baixo risco Risco moderado Risco elevado
Homem < 0,90 0,90-0,99 ≥ 1,00
Mulher < 0,80 0,80-0,84 ≥ 0,85

Perímetro da cintura isolado (alternativa simplificada, IDF):

  • Homem: risco a partir de 94 cm, alto risco > 102 cm.
  • Mulher: risco a partir de 80 cm, alto risco > 88 cm.

Exemplo prático

Um administrativo de 45 anos, 82 kg, 1,75 m mede 95 cm de cintura e 100 cm de ancas:

  • RCA: 95 / 100 = 0,95 — risco moderado.
  • IMC: 82 / 1,75² = 26,8 — excesso de peso.
  • Perímetro isolado: 95 cm — risco moderado (IDF).

Convergência: recomendação de reduzir gordura abdominal por dieta hipocalórica e treino aeróbio moderado (150 min/semana).

Uma mulher de 50 anos, 68 kg, 1,65 m, mede 82 cm cintura e 98 cm ancas:

  • RCA: 82 / 98 = 0,84 — risco moderado.
  • IMC: 25,0 — limite do excesso de peso.
  • Perímetro isolado: 82 cm — risco moderado.

A distribuição ginóide (ancas 98 cm) protege parcialmente, mas a cintura já ultrapassou os 80 cm — atenção pós-menopausa, quando a redistribuição para o abdómen se intensifica.

Contexto em Portugal

A DGS e o INSA (Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge) incluem o perímetro da cintura no Inquérito Nacional de Saúde. Em 2019, mais de 50% das mulheres portuguesas com mais de 45 anos tinham cintura acima dos 88 cm, e mais de 60% dos homens acima dos 40 anos ultrapassavam 94 cm.

Na consulta de nutrição do SNS e nas Unidades de Saúde Familiar (USF), a medição de cintura é rotina no rastreio de síndrome metabólica. Os critérios da NCEP-ATP III para síndrome metabólica exigem cintura elevada + dois de: HDL baixo, triglicéridos altos, glicemia jejum ≥ 100 mg/dL ou tensão elevada.

O Programa Nacional para a Prevenção e Controlo da Diabetes utiliza o perímetro da cintura como um dos indicadores de rastreio precoce da diabetes tipo 2.

Erros comuns

O primeiro erro é medir a cintura ao nível das calças. As calças descem naturalmente para a linha das ancas ou abaixo do umbigo. A cintura anatómica é mais alta — ponto médio entre a última costela e a crista ilíaca. Medir baixo dá RCA subestimado.

O segundo erro é contrair o abdómen durante a medição. A fita deve ficar ajustada com a pessoa em repouso, no fim de expiração calma. Contrair reduz o perímetro artificialmente.

O terceiro erro é medir por cima de roupa grossa. Camisola espessa adiciona 2-4 cm. Idealmente pele nua ou uma camada fina.

O quarto erro é usar fita métrica pouco flexível ou frouxa. Fita rígida não segue a curvatura corporal; fita frouxa dá valores por excesso. Fita de sastre é o padrão.

O quinto erro é olhar só para o RCA e ignorar o perímetro absoluto. Uma pessoa muito magra com pouca anca e pouca cintura pode ter RCA alto sem ter risco cardiovascular real — o valor absoluto (< 94/80 cm) mantém-se mais fiável em corpos pequenos.

Ver também

Perguntas frequentes

04 entradas
Como meço correctamente cintura e anca?

Cintura: no ponto mais estreito entre a última costela e o umbigo, em pé, relaxado, sem apertar. Anca: no ponto mais largo das nádegas. Fita métrica horizontal, paralela ao chão. Mede de manhã, em jejum, para consistência. Evita fatos apertados.

Porquê usar o WHR e não só o IMC?

O IMC não distingue massa muscular de gordura nem onde está localizada. Duas pessoas com o mesmo IMC podem ter riscos cardiovasculares muito diferentes: gordura abdominal (forma 'maçã') é mais perigosa que gordura nas ancas ('pêra'). O WHR captura isso.

Que valores indicam risco alto?

OMS: homens WHR > 0,90 = risco aumentado; > 1,00 = risco alto. Mulheres > 0,85 = risco aumentado; > 0,90 = risco alto. Combina com perímetro absoluto da cintura: homens > 102 cm ou mulheres > 88 cm são bandeiras vermelhas independentemente do WHR.

Como baixo o WHR?

Reduzir gordura visceral: défice calórico moderado, treino cardiovascular regular (150 min/semana), treino de força 2–3× semana, dormir 7–8 h, gerir stress (cortisol contribui para gordura abdominal). Não há forma de emagrecer 'só' na barriga, mas essa zona é das primeiras a responder ao défice global.

Ver também