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Calculadora de taxa de esforço

Rendimento líquido mensal e encargo mensal (prestação, renda…).

Prestação, renda ou soma de encargos.
Taxa de esforço
30 %
ClassificaçãoModerada
Rendimento1500,00 €
Encargo450,00 €

Aceitável, mas atento a subidas de juros e outros encargos.

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Como calcular a taxa de esforço e o limite prudencial da banca

O que é a taxa de esforço

A taxa de esforço é o rácio entre os encargos mensais com crédito e o rendimento líquido mensal do agregado familiar. Mede a proporção do teu ordenado disponível que sai directamente para o banco, e é o principal indicador que a banca portuguesa usa para decidir se aprova ou não um pedido de crédito à habitação, automóvel ou consumo.

Em inglês, chama-se DSTI (Debt-Service-to-Income) — a métrica que o Banco de Portugal usa nas suas medidas macroprudenciais. Na Recomendação de Junho de 2018 (revista e mantida em 2026), o BdP fixou tectos indicativos de DSTI que os bancos devem respeitar em pelo menos 90% dos novos créditos.

O objectivo é duplo: proteger o mutuário de comprometer excessivamente o rendimento (deixando margem para o dia a dia e para choques) e proteger o sistema bancário de carteiras de crédito com risco elevado de incumprimento — a memória da crise 2008-2014 está inscrita neste enquadramento prudencial.

Como se calcula

Fórmula elementar:

Taxa de esforço = (encargos mensais com créditos / rendimento líquido) × 100

Onde:

  • Encargos incluem prestação de crédito habitação, créditos ao consumo, cartões de crédito com prestações fixas, leasing automóvel, e — em muitos bancos — pensões de alimentos.
  • Rendimento líquido é o valor após IRS e Segurança Social. Em rendimento variável, banca usa a média dos últimos 12-24 meses; comissões e bónus só entram parcialmente.

Consulta a calculadora de taxa de esforço para simulação rápida.

Exemplo prático em Portugal

Um agregado com salário líquido conjunto de 2 500 € e créditos actuais:

  • Prestação de habitação prevista: 750 €.
  • Crédito automóvel: 180 €.
  • Cartão de crédito com prestação fixa: 45 €.

Encargos totais: 975 €.

Taxa de esforço: 975 / 2 500 = 39%.

Neste caso, ainda está abaixo do tecto habitual de 40-50%. Se o Euribor subir 2 p.p., a prestação de habitação sobe para ~890 € — encargos totais 1 115 €, taxa de esforço 44,6%. Ainda aceitável, mas com pouca folga.

Bancos aplicam stress test: simulam o teu perfil com Euribor +3 p.p. ou com prazo reduzido, e a taxa de esforço nesse cenário não pode ultrapassar limites internos (tipicamente 45-50%).

Contexto em Portugal

O Banco de Portugal define, na Recomendação Macroprudencial:

  • DSTI ≤ 50% para nova produção de crédito habitação, com excepção controlada até 60% para no máximo 10% do total emitido.
  • DSTI ≤ 60% só para clientes com rendimento sólido comprovado e reserva de poupança.
  • LTV ≤ 90% para HPP; ≤ 80% para habitação secundária; ≤ 100% em imóveis de entidades resolvidas.
  • Maturidade máxima 40 anos, com degrau decrescente pela idade (média ponderada da carteira ≤ 30 anos).

A DECO e outras associações recomendam ficar abaixo de 35% como taxa de esforço “confortável” — deixa margem para poupança, imprevistos e subidas de taxa. Acima de 40% começa o território de risco.

Além do crédito habitação, existe a Central de Responsabilidades de Crédito (CRC) do BdP, consultada pelos bancos para conhecer todos os empréstimos activos do requerente. Nada fica escondido.

Erros comuns

  • Contar rendimento bruto em vez de líquido: infla a capacidade de pagamento artificialmente. A banca calcula sobre o líquido efectivo.
  • Ignorar créditos de curto prazo: cartões de crédito revolving não entram na fórmula standard, mas se tens 3 cartões saturados o banco vê e recusa.
  • Assumir spread mínimo ao simular: usa spread realista para o teu perfil (LTV, rendimento). Cliente médio Portugal 2026 está em spread 0,9-1,1%.
  • Não simular subida de Euribor: crédito variável com Euribor a 2% hoje pode ir a 4-5% em ciclos de subida. A taxa de esforço tem de aguentar o pior cenário.
  • Confundir taxa de esforço com LTV: LTV é o rácio entre financiamento e valor do imóvel; taxa de esforço é entre prestação e rendimento. São métricas independentes, ambas limitadas.
  • Esperar que o segundo titular resolva: incluir cônjuge sobe o rendimento no cálculo, mas também soma responsabilidade solidária. Se um perde emprego, o outro paga tudo.

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Perguntas frequentes

03 entradas
Qual a taxa de esforço máxima que a banca aceita?

Recomendação Banco de Portugal: 35%. Alguns bancos vão até 40% em casos específicos (rendimentos altos, cliente estável). Acima de 40% é raramente aceite — o banco considera risco elevado de incumprimento. Se o cálculo dá 45% ou mais, provavelmente terá de baixar valor ou aumentar prazo do crédito.

A taxa de esforço só conta o crédito habitação?

Não. Soma todos os encargos financeiros mensais: prestação da casa + crédito automóvel + cartões de crédito + créditos pessoais + eventuais pensões alimentares. Se ganhas 2000 € líquidos e já tens 200 € de crédito auto, só podes pedir mais 500 € de prestação para ficar dentro dos 35% (700 − 200 = 500).

E se o rendimento tiver componente variável (comissões, prémios)?

A banca considera tipicamente o rendimento base mais uma percentagem (30-50%) da média das componentes variáveis dos últimos 12-24 meses. Prémios pontuais podem não contar. Recibos verdes: o banco pede várias declarações de IRS, aplica coeficientes conservadores. Rendimentos de aluguer contam mas com desconto.

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