Como funciona o ROI e quando o usar em vez do CAGR
O que é o ROI
O ROI (Return on Investment) — retorno sobre investimento — é a métrica que mede quanto ganhaste (ou perdeste) face ao que investiste. É a forma mais simples e universal de avaliar a eficácia de uma aplicação financeira, campanha publicitária, projecto de investimento numa PME ou compra de um activo.
Ao contrário do CAGR, o ROI não anualiza. Dá-te o retorno total no período considerado, seja um mês, um ano ou dez anos. Isto torna-o intuitivo mas potencialmente enganador se comparado sem contexto: um ROI de 50% pode ser espectacular em 6 meses ou medíocre em 15 anos.
O ROI é usado em contextos muito distintos: investidores em bolsa, gestores de marketing (ROAS = variante do ROI), investidores em imobiliário (rentabilidade do arrendamento), private equity, direcções financeiras a avaliar CAPEX. Em cada domínio ganha ajustes, mas a fórmula base mantém-se.
Fórmula
A fórmula clássica é:
ROI = (Ganho − Investimento) / Investimento × 100
Ou, equivalentemente:
ROI = Retorno líquido / Investimento inicial
Se o ROI for positivo, o investimento gerou valor. Negativo, destruiu. Zero, ficou neutro.
Existem variantes:
- ROAS (Return on Ad Spend):
Receita gerada / Custo publicitário. Usado em marketing digital. - ROIC (Return on Invested Capital):
NOPAT / Capital investido total. Usado em análise de empresas. - ROE (Return on Equity):
Lucro líquido / Capital próprio. Foco no rendimento aos accionistas.
Para tornar o ROI comparável entre investimentos com diferentes horizontes, anualiza-se para CAGR:
CAGR = (1 + ROI)^(1/anos) − 1
Exemplo prático em Portugal
Compraste em 2023 um apartamento em Braga por 185 000 € para arrendamento. Em 2026 valorizou para 230 000 € e recebeste 21 600 € de rendas líquidas em 3 anos.
- Ganho total: (230 000 − 185 000) + 21 600 = 66 600 €
- Investimento inicial: 185 000 € (ignorando custos de transacção para simplificar; na prática, soma IMT, imposto do selo, notário)
- ROI = 66 600 / 185 000 = 36% em 3 anos
Anualizado: CAGR = (1,36)^(1/3) − 1 = 10,8% ao ano. Percebes agora que o ROI de 36% é excelente porque o período foi curto.
Outro exemplo, campanha publicitária de uma pastelaria em Aveiro em 2026:
- Investimento em Meta Ads: 2 500 €
- Vendas atribuíveis: 12 000 €
- ROAS = 12 000 / 2 500 = 4,8x (ou 380% de ROI)
Regra prática: ROAS acima de 4x é bom em retalho, 6x+ excelente. Abaixo de 2x, dificilmente cobre a margem operacional.
ROI vs CAGR — quando cada um
Usa ROI quando:
- O horizonte temporal é curto ou fixo (uma campanha, uma operação one-off, um projecto de 12 meses).
- Comparar retornos relativos, sem levar em conta duração.
- Simplicidade importa — apresentações a não-financeiros.
Usa CAGR quando:
- O horizonte é multi-anual e queres comparar com outros investimentos de duração diferente.
- Estás a estimar retornos compostos futuros.
- Fazes comparações entre PPR, ETF, DP a prazos diferentes.
Usa TIR (IRR) quando existem múltiplos fluxos ao longo do tempo (entradas e saídas), como aportes regulares num PPR ou projecto empresarial com CAPEX faseado.
Nunca compares ROI com CAGR directamente — são unidades diferentes. Um ROI de 40% em 5 anos equivale a CAGR de 7% ao ano.
Erros comuns
- Comparar ROI de investimentos com horizontes diferentes: ROI de 30% em 1 ano é muito melhor que 40% em 5 anos.
- Esquecer custos “invisíveis”: em imobiliário, muitos investidores calculam ROI apenas com preço de compra vs valor actual, ignorando IMT, imposto do selo, notário, comissões, custos de manutenção, mais-valias de 28%.
- Ignorar risco: um ROI alto em cripto não é comparável a um ROI baixo em certificados de aforro. Ajusta ao risco (Sharpe, Sortino) para comparações honestas.
- Confundir ROI com rentabilidade líquida: em fundos de investimento, o ROI publicado é bruto. Impostos e comissões podem reduzir 30-40% do valor apresentado.
- Usar ROI para justificar retenção de perdas: “ainda dá ROI positivo se esperar mais” é a base do sunk cost fallacy. O ROI é resultado, não decisão de continuar.
Em contexto empresarial português, o ROI de projectos de investimento apoiados por fundos europeus (PT2030) tem de considerar o efeito subsídio — o cálculo é diferente quando 40-60% do investimento é comparticipado.
Ver também
- CAGR — para retornos anualizados.
- Lucro — base para calcular retornos.
- Margem — para retornos operacionais.
- Juros compostos — para juros compostos puros.