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ROI — Retorno sobre Investimento

O ROI (Return on Investment) mede a rentabilidade em percentagem: (ganho − investimento) ÷ investimento × 100. Se o investimento durou vários anos, também mostramos o CAGR — a taxa anual composta equivalente — para comparar com prazos diferentes.

opcional — comissões, taxas, manutenção
opcional — calcula CAGR anualizado
ROI
50 %
Lucro líquido5000,00 €
Multiplicador1,5 ×
ClassificaçãoBom

Bom retorno.

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Como funciona o ROI e quando o usar em vez do CAGR

O que é o ROI

O ROI (Return on Investment) — retorno sobre investimento — é a métrica que mede quanto ganhaste (ou perdeste) face ao que investiste. É a forma mais simples e universal de avaliar a eficácia de uma aplicação financeira, campanha publicitária, projecto de investimento numa PME ou compra de um activo.

Ao contrário do CAGR, o ROI não anualiza. Dá-te o retorno total no período considerado, seja um mês, um ano ou dez anos. Isto torna-o intuitivo mas potencialmente enganador se comparado sem contexto: um ROI de 50% pode ser espectacular em 6 meses ou medíocre em 15 anos.

O ROI é usado em contextos muito distintos: investidores em bolsa, gestores de marketing (ROAS = variante do ROI), investidores em imobiliário (rentabilidade do arrendamento), private equity, direcções financeiras a avaliar CAPEX. Em cada domínio ganha ajustes, mas a fórmula base mantém-se.

Fórmula

A fórmula clássica é:

ROI = (Ganho − Investimento) / Investimento × 100

Ou, equivalentemente:

ROI = Retorno líquido / Investimento inicial

Se o ROI for positivo, o investimento gerou valor. Negativo, destruiu. Zero, ficou neutro.

Existem variantes:

  • ROAS (Return on Ad Spend): Receita gerada / Custo publicitário. Usado em marketing digital.
  • ROIC (Return on Invested Capital): NOPAT / Capital investido total. Usado em análise de empresas.
  • ROE (Return on Equity): Lucro líquido / Capital próprio. Foco no rendimento aos accionistas.

Para tornar o ROI comparável entre investimentos com diferentes horizontes, anualiza-se para CAGR:

CAGR = (1 + ROI)^(1/anos) − 1

Exemplo prático em Portugal

Compraste em 2023 um apartamento em Braga por 185 000 € para arrendamento. Em 2026 valorizou para 230 000 € e recebeste 21 600 € de rendas líquidas em 3 anos.

  • Ganho total: (230 000 − 185 000) + 21 600 = 66 600 €
  • Investimento inicial: 185 000 € (ignorando custos de transacção para simplificar; na prática, soma IMT, imposto do selo, notário)
  • ROI = 66 600 / 185 000 = 36% em 3 anos

Anualizado: CAGR = (1,36)^(1/3) − 1 = 10,8% ao ano. Percebes agora que o ROI de 36% é excelente porque o período foi curto.

Outro exemplo, campanha publicitária de uma pastelaria em Aveiro em 2026:

  • Investimento em Meta Ads: 2 500 €
  • Vendas atribuíveis: 12 000 €
  • ROAS = 12 000 / 2 500 = 4,8x (ou 380% de ROI)

Regra prática: ROAS acima de 4x é bom em retalho, 6x+ excelente. Abaixo de 2x, dificilmente cobre a margem operacional.

ROI vs CAGR — quando cada um

Usa ROI quando:

  • O horizonte temporal é curto ou fixo (uma campanha, uma operação one-off, um projecto de 12 meses).
  • Comparar retornos relativos, sem levar em conta duração.
  • Simplicidade importa — apresentações a não-financeiros.

Usa CAGR quando:

  • O horizonte é multi-anual e queres comparar com outros investimentos de duração diferente.
  • Estás a estimar retornos compostos futuros.
  • Fazes comparações entre PPR, ETF, DP a prazos diferentes.

Usa TIR (IRR) quando existem múltiplos fluxos ao longo do tempo (entradas e saídas), como aportes regulares num PPR ou projecto empresarial com CAPEX faseado.

Nunca compares ROI com CAGR directamente — são unidades diferentes. Um ROI de 40% em 5 anos equivale a CAGR de 7% ao ano.

Erros comuns

  • Comparar ROI de investimentos com horizontes diferentes: ROI de 30% em 1 ano é muito melhor que 40% em 5 anos.
  • Esquecer custos “invisíveis”: em imobiliário, muitos investidores calculam ROI apenas com preço de compra vs valor actual, ignorando IMT, imposto do selo, notário, comissões, custos de manutenção, mais-valias de 28%.
  • Ignorar risco: um ROI alto em cripto não é comparável a um ROI baixo em certificados de aforro. Ajusta ao risco (Sharpe, Sortino) para comparações honestas.
  • Confundir ROI com rentabilidade líquida: em fundos de investimento, o ROI publicado é bruto. Impostos e comissões podem reduzir 30-40% do valor apresentado.
  • Usar ROI para justificar retenção de perdas: “ainda dá ROI positivo se esperar mais” é a base do sunk cost fallacy. O ROI é resultado, não decisão de continuar.

Em contexto empresarial português, o ROI de projectos de investimento apoiados por fundos europeus (PT2030) tem de considerar o efeito subsídio — o cálculo é diferente quando 40-60% do investimento é comparticipado.

Ver também

  • CAGR — para retornos anualizados.
  • Lucro — base para calcular retornos.
  • Margem — para retornos operacionais.
  • Juros compostos — para juros compostos puros.

Perguntas frequentes

04 entradas
Qual a diferença entre ROI e CAGR?

ROI é o retorno total, cumulativo — 100 € que se tornaram 150 € têm ROI de 50%. CAGR é a taxa anual composta equivalente: se esse mesmo ROI de 50% for em 5 anos, o CAGR é 8,45% ao ano. O CAGR permite comparar investimentos com prazos diferentes; o ROI sozinho não.

O que conta como 'ganho' no numerador?

O ganho líquido: valor final − valor inicial − custos (comissões, impostos, mais-valias). No caso de acções em Portugal, subtrai 28% de IRS sobre o lucro (categoria G) para obteres o ganho real.

Um ROI negativo é sempre mau?

Quer dizer que perdeste dinheiro naquele investimento, mas o contexto importa: perdas fiscais podem compensar mais-valias no mesmo ano de IRS. E projectos com ROI negativo no ano 1 (arranque, formação) podem ser rentabilíssimos em 5 anos.

Serve para comparar imóveis?

Sim, mas usa antes o yield anual (renda ÷ preço). ROI aplicado a imóveis costuma incluir também a valorização do prédio ao vender, o que só é conhecido no fim. Para arrendamento em curso, olha para o yield líquido e o cash-on-cash return.

Ver também