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CAGR — Taxa Anualizada

Como comparar um investimento que rendeu 40% em 3 anos com outro que rendeu 60% em 5 anos? Com o CAGR — a taxa anual constante equivalente. Aqui: (valor final / valor inicial)^(1/anos) − 1.

CAGR (taxa anual composta)
7,62 %
Retorno total80 %
Multiplicador1,8×
Trajectória anual (crescimento uniforme)
Ano 010 000,00 €
Ano 110 762,40 €
Ano 211 582,92 €
Ano 312 466,00 €
Ano 413 416,41 €
Ano 514 439,27 €
Ano 615 540,12 €
Ano 716 724,90 €
Ano 818 000,00 €
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Como funciona o CAGR e quando o usar em investimentos

O que é o CAGR

O CAGR (Compound Annual Growth Rate) — em português “taxa de crescimento anual composta” — é a taxa constante que, aplicada ao longo de N anos, transformaria um valor inicial no valor final observado. Serve para resumir num único número uma trajectória de crescimento que, no mundo real, foi tudo menos linear.

É a métrica padrão para comparar retornos de investimentos ao longo do tempo: rentabilidade de ETF, evolução de um PPR, crescimento de vendas de uma empresa, valorização de um imóvel. Reduz um histórico volátil a uma taxa “como se” fosse constante — o que facilita comparações entre activos com diferentes horizontes e volatilidades.

Ao contrário da média aritmética simples dos retornos anuais, o CAGR incorpora o efeito do juro composto e reflecte o retorno real que o teu capital experimentou. Este ponto é crucial para não seres enganado por publicidade de “rentabilidade média X%” que exagera o desempenho efectivo.

Fórmula

A definição do CAGR é:

CAGR = (Valor Final / Valor Inicial)^(1 / N) − 1

Onde N é o número de anos. O resultado é uma taxa decimal — multiplica por 100 para percentagem.

Exemplo: 10 000 € investidos hoje que se tornam 16 105 € ao fim de 5 anos:

CAGR = (16 105 / 10 000)^(1/5) − 1 = 1,10 − 1 = 10% ao ano

Isto significa que o investimento cresceu como se tivesse rendido 10% consistentemente todos os anos, mesmo que na realidade tenha alternado entre +25% e −5%.

Onde o CAGR falha? Em séries com valor inicial ou final próximo de zero (matematicamente instável), em investimentos com aportes (a fórmula assume um único capital inicial — para isso usa-se o TIR ou poupança com aportes), e em séries curtas (1-2 anos, onde a suavização perde sentido).

Exemplo prático em Portugal

Em 2021, investes 5 000 € num ETF MSCI World. Evolução anual: +22% em 2021, −18% em 2022, +24% em 2023, +19% em 2024, +5% em 2025. Valor a 31/12/2025:

5 000 × 1,22 × 0,82 × 1,24 × 1,19 × 1,05 = 7 745 €

Média aritmética dos retornos: (22 − 18 + 24 + 19 + 5) / 5 = 10,4% — enganosa.

CAGR real: (7 745 / 5 000)^(1/5) − 1 = 9,15% ao ano. Substancialmente inferior. A média aritmética sobrestima sempre o retorno de séries voláteis: quanto maior a volatilidade, maior o gap entre média simples e CAGR.

Aplicações concretas em 2026:

  • Comparar dois PPR: um com CAGR 4,2% em 10 anos vs outro com 5,8% em 10 anos.
  • Estimar tempo até duplicar capital: aplica a regra dos 72 ao CAGR.
  • Avaliar valorização de imóvel: casa comprada por 180 000 € em 2018, avaliada em 275 000 € em 2026. CAGR = (275/180)^(1/8) − 1 ≈ 5,4% ao ano.

Quando usar

Usa CAGR quando:

  • Comparas investimentos passivos sem aportes com horizontes diferentes.
  • Queres uma taxa comparável ao juro composto de um DP.
  • Analisas séries longas (>3 anos) e voláteis.

Não uses CAGR quando:

  • Fazes contribuições regulares (usa poupança com aportes ou TIR).
  • A série tem menos de 2 anos (a “suavização” perde sentido).
  • Avalias projectos com fluxos negativos intermédios (usa TIR ou VAL).

Em Portugal, gestoras de PPR são obrigadas a divulgar rentabilidades anuais brutas, mas o cliente muitas vezes só vê “rentabilidade média X%”. Calcula sempre o CAGR real: (valor actual / entregas totais)^(1/anos) − 1 — assumindo entregas iniciais, é uma boa aproximação.

Erros comuns

  • Confundir CAGR com retorno médio simples: em séries voláteis, o CAGR é sempre menor. Um fundo que anuncia “média 12%” pode ter CAGR de 8%.
  • Aplicar CAGR a série com aportes regulares: dá resultado sem sentido — o valor final incorpora entregas, não só valorização. Usa TIR.
  • Ignorar impostos e comissões: CAGR bruto é diferente de CAGR líquido. Um ETF com CAGR 8% bruto e comissão de 0,2% dá 7,8% líquido; se somares 28% de IRS no resgate, o CAGR efectivo pós-impostos é ≈ 5,8%.
  • Assumir que CAGR passado prevê CAGR futuro: rentabilidade histórica não garante rentabilidade futura. Standard obrigatório em prospectos CMVM/ESMA.
  • Não anualizar quando o período não é ano inteiro: para 42 meses (3,5 anos), N = 3,5, não 3.

Ver também

Perguntas frequentes

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Porque não usar simplesmente a rentabilidade total?

Porque o tempo importa. 100% em 5 anos é muito diferente de 100% em 20 anos. O CAGR (~14,9% no primeiro caso, ~3,5% no segundo) permite comparar directamente investimentos com prazos diferentes.

CAGR é o mesmo que taxa média?

Não. A média aritmética das taxas anuais pode ser enganadora quando há volatilidade. Se um investimento sobe 50% num ano e cai 33% no seguinte, a média aritmética é 8,5% mas o CAGR é 0% (voltas ao mesmo).

Que CAGR é considerado bom?

Contexto importa. Bolsa americana longa duração: ~7-10% real. Obrigações do tesouro PT: ~2-3%. Depósitos a prazo: ~1-3%. Imóveis PT (2015-2025): valorização ~6-8% + renda 3-4% = ~10%.

CAGR ignora volatilidade — é um problema?

Sim. Dois investimentos podem ter o mesmo CAGR mas experiências muito diferentes. Complementa sempre com o desvio-padrão dos retornos (métrica de risco) ou o Sharpe ratio.

Ver também