ZN/pt
ZN.pt · Progressão Geométrica · zn.pt/progressao-geometrica

Progressão Geométrica

Sequência em que cada termo é o anterior multiplicado por uma razão q constante. Introduz o primeiro termo (a₁), a razão (q) e o número de termos (n). Se |q| < 1, a soma infinita converge: S∞ = a₁ / (1 − q).

Último termo (a_10)
1024
Soma dos 10 termos2046
Fórmulaa_n = 2 × 2^(n − 1)
Primeiros 10 termos
2, 4, 8, 16, 32, 64, 128, 256, 512, 1024
Comparar

Progressão geométrica: termo geral, soma finita e infinita

O que é uma progressão geométrica

Uma progressão geométrica (PG) é uma sucessão em que cada termo se obtém do anterior multiplicando por um valor constante — a razão, denotada por q (ou r). Formalmente:

a₁, a₁·q, a₁·q², a₁·q³, ...

Enquanto a progressão aritmética modela crescimento linear (soma constante), a PG modela crescimento multiplicativo (exponencial). Esta diferença é a raiz de muitas ilusões populares: subestimar o crescimento composto é o erro cognitivo mais comum em finanças pessoais e demografia.

A PG está por trás de:

  • Juros compostos — o dinheiro cresce por multiplicação.
  • Crescimento populacional — populações duplicam em tempos geometricamente relacionados.
  • Decaimento radioactivo — cada meia-vida reduz a massa por metade (PG de razão 0,5).
  • Multiplicação bacteriana — divisão celular a cada X minutos.

Fórmula do termo geral

O n-ésimo termo é:

aₙ = a₁ · qⁿ⁻¹

Onde a_1 é o primeiro termo, q a razão e n a posição.

Exemplo: PG com a_1 = 3 e q = 2. Termos: 3, 6, 12, 24, 48, … Décimo termo: a_{10} = 3 \times 2^9 = 3 \times 512 = 1536.

Se |q| > 1, a PG cresce sem limite. Se |q| &lt; 1, decresce para zero. Se q = 1, é constante. Se q &lt; 0, alterna sinal.

Soma finita

A soma dos primeiros n termos, para q \neq 1:

Sₙ = a₁ · (1 − qⁿ) / (1 − q)

Equivalentemente S_n = a_1 (q^n - 1)/(q - 1) — as duas formas dão o mesmo valor.

Se q = 1, todos os termos são iguais a a_1 e S_n = n \cdot a_1 (é uma PA de razão 0).

Exemplo: soma dos primeiros 10 termos da PG (3, 6, 12, …): S_{10} = 3 \times (1 - 1024) / (1 - 2) = 3 \times 1023 = 3069.

Soma infinita (série geométrica)

Se |q| &lt; 1 (razão em módulo menor que 1), a PG converge e a soma infinita é:

S∞ = a₁ / (1 − q)

Exemplo clássico: 1 + 1/2 + 1/4 + 1/8 + ... = 1 / (1 - 1/2) = 2. Também conhecido como paradoxo de Zenão — a soma converge para 2, resolvendo o “paradoxo da tartaruga” de Aquiles.

Se |q| \geq 1, a soma infinita diverge — não tem valor finito.

Exemplo prático em Portugal

Juros compostos em PPR: colocas 5000 € a 4% de rentabilidade anual composta. O capital ao longo dos anos forma uma PG com a_1 = 5000 \times 1.04 = 5200 e razão q = 1.04:

  • Ano 1: 5200 €
  • Ano 5: 5000 \times 1.04^5 \approx 6083 €
  • Ano 10: 5000 \times 1.04^{10} \approx 7401 €
  • Ano 20: 5000 \times 1.04^{20} \approx 10 956 €
  • Ano 30: 5000 \times 1.04^{30} \approx 16 217 €

Repara: nos primeiros 10 anos o capital cresce ~2400 €. Nos últimos 10, cresce ~5300 €. É o efeito exponencial.

Aplicando a regra dos 72: 72 / 4 = 18 anos para duplicar. E de facto, 5000 × 1,04^18 ≈ 10 128 €.

Poupança periódica: aportes constantes de 100 €/mês num fundo a 5%/ano formam uma soma de PG. Ao fim de 20 anos, o valor futuro é ~41 100 €. Ver poupança com aportes.

Quando usar

Situações modeladas por PG:

  • Investimentos compostos — capital que se reinveste.
  • Inflação cumulativa — preços que sobem X%/ano.
  • Rentabilidade de fundos — TAE, CAGR.
  • Modelos epidémicos SIR (fase exponencial).
  • Empréstimos com amortização francesa — a estrutura de capital em dívida segue PG.
  • Depreciação por saldos declinantes — activos que perdem valor multiplicativamente.

Erros comuns

Confundir PG com PA. Uma poupança com aporte constante e juros é a soma de duas dinâmicas: os aportes formam PA em valor nominal mas o composto sobre eles é PG. É a diferença entre “poupar 100 € por mês” e “acumular 100 € por mês com juros”.

Assumir que soma infinita converge sempre. Se |q| \geq 1, diverge. Muita gente aplica a fórmula sem verificar.

Ignorar o sinal. Se q &lt; 0, a PG alterna sinal. Uma PG (2, -6, 18, -54, …) tem razão -3 e a soma comporta-se de forma diferente.

Aplicar a PG a intervalos discretos e ler resultado como contínuo. Juros anuais compostos discretamente diferem de juros contínuos (e^{rt}). A diferença é pequena a taxas baixas, mas real.

Não descontar impostos. Em Portugal, mais-valias mobiliárias pagam 28% de IRS. Uma rentabilidade nominal de 6% deixa cerca de 4,3% líquidos — muda drasticamente a projecção a 30 anos.

Ver também

Perguntas frequentes

04 entradas
Qual é a diferença entre PA e PG?

Na progressão aritmética adicionas sempre a mesma razão (2, 5, 8, 11...); na geométrica multiplicas (2, 6, 18, 54...). Juros compostos são PG. Duplicação de populações também.

Como pode uma soma infinita dar um número finito?

Só se |q| < 1, ou seja, os termos ficam cada vez mais pequenos. 1 + 0,5 + 0,25 + 0,125 + ... converge para 2, mesmo somando infinitos termos. Foi este resultado (paradoxo de Zenão) que fascinou os matemáticos gregos.

PG aparece na vida real?

Sim, muitas vezes: juros compostos (banco), depreciação exponencial (carros, tecnologia), decaimento radioactivo, meia-vida de medicamentos, viralização em redes sociais.

Porque limitam-se aqui a 100 termos?

Para evitar overflow. Uma PG de razão 2 chega a valores astronómicos em ~1024 termos (limite de precisão numérica em JavaScript). Para termos maiores, usa BigInt e cálculo simbólico.

Ver também