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Número por Extenso

Útil para preencher cheques, escrever contratos ou verificar montantes por extenso. Suporta até milhares de milhões, negativos e um modo especial para valores monetários ("250,50 → duzentos e cinquenta euros e cinquenta cêntimos").

Por extenso
dois mil e quinhentos euros e cinquenta cêntimos
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Como escrever números por extenso em português europeu

O que é escrever por extenso

Escrever um número por extenso significa representá-lo em palavras (em vez de algarismos): “duzentos e cinquenta euros” em vez de “250 €”. É prática obrigatória em cheques, contratos, escrituras públicas, declarações fiscais e livretes matriciais — sempre que se pretende evitar adulteração fácil ou ambiguidade. Alterar um “1” para “7” num cheque é trivial; alterar “mil” para “sete mil” na parte por extenso não passa despercebido.

Em Portugal, a escrita por extenso segue as regras estabelecidas no Acordo Ortográfico de 1990, em vigor em Portugal desde 2009, complementadas pelas convenções gramaticais tradicionais do português europeu. A norma difere ligeiramente do português do Brasil em pormenores (uso do “e” antes das centenas, aglutinação de “trilhões” vs “biliões”).

Escrever números por extenso continua obrigatório em contexto notarial e cambiário, mesmo em 2026, apesar da desmaterialização geral: cheques bancários, testamentos hológrafos, actas de assembleia geral, e minutas de escritura de compra e venda de imóveis.

Regras principais

Regras fundamentais no português europeu:

  1. Números até 20: escrevem-se por uma palavra (um, dois, …, dezanove, vinte).
  2. De 20 a 99: unidade composta com “e” (vinte e um, quarenta e cinco).
  3. Centenas: cem (100 exacto), cento (para compostos: cento e um). Duzentos, trezentos, …, novecentos concordam em género: “duzentas casas”.
  4. “E” nas junções:
    • Entre centenas e dezenas: “quinhentos e vinte”.
    • Entre centenas e unidades (sem dezenas): “quinhentos e três”.
    • Entre milhares e centenas: “dois mil e trezentos”.
    • Sem “e” entre milhares e centenas se seguidas de dezena não-zero: “dois mil trezentos e vinte” (regra prescritiva, embora coloquial admita “e trezentos”).
  5. Mil é invariável: “mil”, “dois mil”, “cem mil”. Nunca “muitos miles”.
  6. Milhão, bilião, trilião: variáveis. “Dois milhões”, “três biliões”. Em Portugal, um bilião = 10¹² (escala longa), diferente dos EUA onde billion = 10⁹.
  7. Concordância em género: “duzentos euros” (masculino), “duzentas dias” … não, “duzentos dias”. Mas “duzentas horas”.

Exemplo prático em Portugal

Escrituras e cheques em 2026 exigem forma estrita. Exemplos:

  • 250 € → duzentos e cinquenta euros.
  • 1 245,50 € → mil duzentos e quarenta e cinco euros e cinquenta cêntimos.
  • 10 001 € → dez mil e um euros.
  • 100 000 € → cem mil euros.
  • 235 890 € → duzentos e trinta e cinco mil oitocentos e noventa euros.
  • 1 000 000 € → um milhão de euros.
  • 2 350 000 € → dois milhões trezentos e cinquenta mil euros.
  • 1 000 000 000 € → mil milhões de euros (não “um bilião” em PT — em português europeu, um bilião são 10¹²).

Numa escritura de compra e venda de um imóvel de 185 500 €, o texto obrigatório será: “pelo preço de cento e oitenta e cinco mil e quinhentos euros”.

Num cheque preenchido para pagamento de 7 250 €: “sete mil duzentos e cinquenta euros”, com traços a preencher o espaço restante para impedir adulteração.

O uso de números por extenso é obrigatório em vários instrumentos:

  • Cheques: por normativo do Banco de Portugal (Aviso 3/2008), o valor em extenso prevalece sobre o valor em algarismos em caso de divergência. Se escreveres “cem euros” e “1 000 €”, o banco paga 100 €.
  • Escrituras notariais: Código do Notariado exige valor por extenso além de algarismos para preço de compra, hipoteca, penhor.
  • Contratos-promessa e arrendamento: prática consolidada, embora não obrigatória por lei, para reduzir margem de disputa.
  • Testamento hológrafo (em jurisdições que o admitem — não Portugal): por extenso sempre.
  • Declarações fiscais complexas: em Portugal, quase tudo em algarismos, mas facturas de valores altos incluem por extenso opcionalmente.
  • Documentos oficiais e diplomas: quantias de bolsas e prémios em textos institucionais.

Erros comuns

  • Usar “e” a mais: “dois mil e trezentos e vinte e cinco” é incorrecto (o segundo “e” duplica). Correcto: “dois mil trezentos e vinte e cinco” (com “e” antes das dezenas, se houver, ou antes das unidades se não há dezenas).
  • Confundir bilião português com billion americano: em traduções financeiras, “5 billion USD” NÃO é “5 biliões”. É “5 mil milhões” em PT-PT. Em PT-BR, sim, “5 bilhões”.
  • Não concordar em género: “duzentos horas” está errado — “duzentas horas”. Concorda com o substantivo que quantifica.
  • Escrever “milhão” invariável: “três milhão” é erro. Correcto: “três milhões”.
  • Confundir cem com cento: “cem” apenas em 100 exacto. Composto sempre “cento e …”: “cento e vinte”, nunca “cem e vinte”.
  • Escrever “mil e um” em milhares intermédios: “dois mil e um” está correcto (2 001). Mas “dois mil e cem” NÃO — o correcto é “dois mil e cem” apenas para 2 100 exacto? Não — na verdade, para 2 100, escreve-se “dois mil e cem”; para 2 150, “dois mil cento e cinquenta”.
  • Cêntimos em cheques: sempre “euros e cinquenta cêntimos”, não “euros e 0,50” nem misturas.

Ver também

  • Números romanos — outra convenção histórica para representar números.
  • Percentagem — para valores em % que aparecem em contratos.

Perguntas frequentes

04 entradas
Quando preciso de escrever números por extenso?

Cheques bancários (montante em algarismos + por extenso, para evitar fraude), contratos de arrendamento e compra e venda, procurações, testamentos, escrituras notariais. A discrepância entre algarismos e extenso resolve-se pelo extenso.

Escreve-se "cem" ou "cento"?

"Cem" se for exactamente 100 sem nada depois. "Cento" se houver mais números: cem euros / cento e vinte euros. Confusão comum: 100% escreve-se "cem por cento" (não "cento").

"Um milhão" precisa de artigo?

No português europeu: sim. "Custa um milhão de euros" (não "custa milhão de euros"). Já "custa mil euros" (não "um mil euros"). "Mil" invariavelmente sem artigo, "milhão" com.

Como se escreve 1000 no montante?

"Mil" (não "um mil"). "Mil euros" para 1000 €. Uso do artigo indefinido "um" antes de "mil" é considerado incorrecto em português europeu.

Ver também